Diego Souza Xavier (Foto: Ale Cabral / Ag. Estado)

Diego Souza Xavier e a esperança verde

Diego Souza Xavier chegou às categorias de base do Palmeiras em 2010 e logo já começou a se destacar como uma das grandes promessas daquela geração.

Naquele momento,  o Palmeiras havia acabado de passar uma de suas grandes derrotas na história. O clube liderou o Campeonato Brasileiro por quase toda a temporada 2009 e terminou sem absolutamente nada.

A equipe liderada por Muricy Ramalho teve apenas 2 vitórias e 3 empates nos últimos 11 jogos do Brasileirão e não apenas perdeu o título, como também ficou fora da Libertadores do ano seguinte.

Inúmeros fatores contribuíram para aquela queda de rendimento. A mudança de técnico foi uma delas. O estilo de jogo de Muricy Ramalho não conseguiu ser aplicado a tempo pelos atletas. O reforço de Vagner Love também não colaborou para o controle do elenco e encaixe das peças.

Há também quem diga do peso emocional dos anos de fila, ou daquela expulsão da briga absurda entre Maurício Nascimento e Obina… Este último personagem, inclusive, também foi protagonista de outra cena clássica que jamais será esquecida, o seu gol anulado no Maracanã contra o Fluminense.

Para esta pessoa que vos escreve, o principal problema do Palmeiras naquele ano foi não saber lidar com a ausência de alguns líderes do grupo. Maurício Ramos, Pierre e Cleiton Xavier tiveram problemas médicos e desfalcaram o clube na  reta final. A perda de boa parte do esqueleto da equipe foi determinante para a queda de desempenho do futebol e do emocional.

A frustração sentida ao fim daquela temporada se equivaleu ao sofrimento passado na época dos rebaixamentos. Obviamente que esse é um testemunho pessoal e não necessariamente pode aplicar a todos palmeirenses.

No entanto, há um sentimento inerte do ser humano que é totalmente expressado no futebol. Depois da dor, da desilusão, daquela vontade clássica de “esse ano eu vou acompanhar menos o Palmeiras”, eis que ela chega verde, madura e imponente: a esperança.

A primeira competição realizada depois do fiasco no Brasileirão 2009 foi a Copa São Paulo Jr Sub-20. O Palmeiras Sub-20, que havia conquistado o Campeonato Paulista do ano anterior,  chegava com chances de conquistar o inédito título. Não foi difícil se iludir com aquela geração.

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Diego Souza Xavier ainda não integrava o elenco, mas quem não se lembra de Gabriel Silva e Luis Felipe, os laterais ambidestros? Os jogadores eram conhecidos por trocar de posição. Gabriel, canhoto e Luis Felipe, destro, costumavam mudar de posição devido a alguns ajustes nas bolas paradas, mas tinham a liberdade de ficar invertidos por um tempo para surpreender os adversários.

A dupla de laterais ambidestros do Palmeiras

Aquela geração também contava com outros destaques, como Patrick Vieira. Este, assim como Gabriel Silva e Luis Felipe, conseguiu chegar até o profissional. O meia atacante chamava atenção pela habilidade e chute de média distância com o pé-esquerdo.

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Outro jogador que embalava as esperanças era o meio-campista Ramos. Aquele meia canhoto clássico, que desde aquele tempo, diziam que faltava no futebol. As pedidas pela subida do jogador foram inúmeras, só se falava nisso na Comunidade do Palmeiras no Orkut.

Infelizmente para nós e para ele, o jogador não conseguiu participar do time principal do Verdão, nem teve a oportunidade em outros clubes de expressão. Ramos disputou a Copa Paulista pelo Noroeste em 2017, mas não temos informações atualizadas sobre onde está atuando em 2018.

Ramos, o meia canhoto clássico

A geração 92/93 ainda trás boas lembranças, principalmente porque aquela equipe chegou perto de conseguir o recomeço que o clube tanto precisava. O Palmeiras foi eliminado nas semifinais da Copa São Paulo pelo Santos.

O problema é que a eliminação veio com requintes de crueldade que até o palmeirense, que viveu todo sofrimento da primeira década dos anos 2000, tomou um novo baque. O Palmeiras perdia a partida por 3×1 até os 42 minutos do segundo tempo, quando em 2 minutos, conseguimos o empate. Gabriel Silva e Patrick Vieira marcaram, respectivamente, aos 42 e 44 minutos para trazer de volta a esperança.

O plot twist da história é que fomos eliminados nos pênaltis. Com a cobrança decisiva sendo perdida por quem, obviamente? Ramos.

Todo palmeirense sabe que o destino pega esse tipo de peça. Na verdade, é algo já sabido pelos amantes do futebol. O craque do time é fadado a perder o pênalti decisivo, a lei do ex tem uma taxa de sucesso altíssima, entre outras máximas.

A chegada de Diego Souza Xavier ao Palmeiras

O fato é que 2010 acabou sendo um ano sem conquistas, mas com boas perspectivas em nomes e individualidades. Foi esse ano que o Palmeiras repatriou dois dos maiores “ídolos” recentes do clube: Valdívia e Kleber Gladiador.

Na base, a esperança tinha nome e sobrenome dos dois principais meias do elenco nas últimas temporadas: Diego Souza Xavier. A fusão de Cleiton Xavier com Diego Souza. Visão de jogo e cadência, associado a explosão e finalização.

Antes de chegar ao Palmeiras em 2010, o meia atuou pelas equipes Sub-17 e Sub-15 do São Paulo. A adaptação foi rápida e fácil. Em seu primeiro ano no clube, Diego Souza Xavier foi o artilheiro do Palmeiras no Campeonato Paulista da categoria Sub-17, fazendo 14 gols.

O meia foi a sensação do Palmeiras nas temporadas seguintes da base. Mesmo mudando para a categoria Sub-20, Diego conseguiu se destacar nas disputas dos Campeonato Paulista e Brasileiro da categoria. Ele disputou a Copa São Paulo nas edições 2011, 2012 e 2013.

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O ano “mágico” de Diego Souza Xavier

2012 foi o grande ano de Diego Souza.  O meia foi convocado para a Seleção Brasileira Sub-20, que era comandada na época por Ney Franco. Diego e seus companheiros disputaram e venceram o Torneio 8 Nações, na África do Sul. Os palmeirenses Luiz Gustavo e Bruno Dybal também foram convocados.

Luis Gustavo, Bruno Dybal e Diego Souza

Luis Gustavo, Bruno Dybal e Diego Souza

Essa Seleção Sub-20 tem um destaque interessante, por sinal. A equipe contava com outras figuras hoje conhecidas, como o nosso zagueiro Luan, que na época representava o Vasco da Gama. Fabinho, que hoje atua no Mônaco e já frequentou convocações da Seleção principal, também participou do torneio quando ainda pertencia ao Fluminense.

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O ano mágico de Diego Souza Xavier contrastou com mais um ano de sofrimento e decepção para o Palmeiras. Apesar dos animadores resultados nas categorias de base, o time principal sucumbiu a mais um rebaixamento, o segundo de nossa história.

O ano trágico do Palmeiras

A equipe de Luis Felipe Scolari conseguiu, no primeiro semestre, um dos títulos mais inesperados dos, até então, quase 100 anos de clube. A Copa do Brasil foi conquistada na marra, na camisa e na tradição.

Infelizmente, esses fatores não foram suficientes para que o Palmeiras não fizesse um Campeonato Brasileiro medíocre e consegue cair com 3 rodadas de antecedência. Lembra do já falado toque de crueldade que só o futebol pode proporcionar? É óbvio que o rebaixamento foi selado por Vagner Love, então no Flamengo, um dos nossos já citados culpados pelo fracasso de 2009.

Diego Souza Xavier teve a oportunidade de estrear pelo time profissional nessa lamentável campanha. No jogo seguinte ao rebaixamento, o técnico Gilson Kleina apostou na participação de garotos da base.

Raphael Alemão, Patrick Vieira, Bruno Dybal e Diego Souza tiveram a oportunidade de atuar na derrota por 2×1 para o lanterna Atlético Goianiense. O jogo foi realizado dia 25 de novembro, no Pacaembu.

Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte

Torcida do Palmeiras no jogo contra o Atlético Goianiense em 2012. (Foto: Marcos Ribolli / Globoesporte)

A Copa São Paulo Jr de 2013 foi mais um daqueles banhos de água fria que todo palmeirense que ama a base não pode esquecer. Mais uma vez viemos de um péssimo ano do profissional, mais uma vez estávamos com um geração promissora, mais uma vez fomos eliminados nas semifinais, mais uma vez contra o Santos.

A diferença foi que o toque de crueldade foi carimbado por Neilton, que anotou um hat trick na partida. 3X2 para o Santos.

O destaque individual de Diego Souza Xavier não foi tão grande quanto no ano anterior. Em 2012, o jogador foi artilheiro do Palmeiras na competição com 5 gols. O meia já era experiente e ajuda na liderança do time que contava com os já citados, mais jovens e promissores Luiz Gustavo e Bruno Dybal.

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Lances de Diego de Souza Xavier

 

2013 marcava o último ano nas categorias de base de Diego Souza. A expetativa é que o jogador pudesse ser integrante da equipe principal para a disputa da série B Campeonato Brasileiro. Naquele ano, também estávamos na Libertadores, e alguns garotos conseguiram ganhar mais oportunidades.

Marcos Vinicius, Luiz Gustavo, João Denoni, Patrick Vieira, Edilson, Bruno Dybal, Caio Mancha, Emerson e Vinicius. 9 atletas com passagens nas categorias de base do clube, incluindo Palmeiras B, foram inscritos na competição internacional. Considerando o histórico não favorável de uso de jogadores formados no clube, provavelmente o maior número de nossa história.

Mas Diego Souza não teve novas chances. O jogador foi emprestado para o Oeste em 2013, começando uma sequência de empréstimos para clubes como Paulista de Jundiaí, Portuguesa, Ferroviária de Araraquara e Juventude.

A esperança de Diego Souza Xavier

Agora com 25 anos, Diego Souza Xavier está vivendo suas últimas semanas como atleta do Palmeiras. O clube renovou o seu contrato até o fim de abril para que o atleta pudesse terminar a recuperação de uma lesão no joelho, a segunda de sua carreira.A primeira foi em 2015, justamente no ano do recomeço vitorioso do Palmeiras.

Os dias de glória e de dificuldade de Diego Souza Xavier e do Palmeiras nunca estiveram em sincronia. Quando meia se destacava individualmente, o clube não estava bem. Quando o Verdão se reergueu, o atleta sofreu com seu joelho e falta de sequência como profissional.

O meia espera que, assim como o clube que torce e o revelou, possa se renovar de esperança após mais uma dificuldade.

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Entrevista com Diego Souza Xavier

Base Palmeiras: Pela pesquisa que fizemos sobre sua carreira, podemos ver que 2012 foi seu ano mágico. Grande Copa São Paulo, estreia no profissional, convocação para seleção-20. Como foi aquele ano para você?

Diego Souza Xavier: 2012 foi uma ano maravilhoso nesse sentido, mas ao mesmo tempo um ano ruim porque o Palmeiras acabou caindo para a Série B no meu primeiro ano como profissional. Ninguém gosta de ficar marcado no clube por uma coisa tão ruim. Os meus anos no clube até eu sair para o primeiro empréstimo foram muito bons, eu sempre me senti feliz e em casa. Depois acabei saindo emprestado e tive duas lesões do ligamento cruzado, isso acabou atrapalhando e fazendo eu perder muito tempo.

BP: Essa lesão é muito complicada mesmo. Quando você teve esses rompimentos de joelho?

DS:  A primeira foi em 2015 na Portuguesa. A segunda foi ano passado, no Juventude. É desta segunda cirurgia que estou me recuperando nesse momento.

BP: Por isso que o Palmeiras renovou seu contrato por mais um pequeno período? Por causa dessa recuperação da cirurgia?

DS: Estamos renovando para que eu possa terminar a recuperação e depois seguir a vida. Quem sabe um dia eu volte a defender o clube.

BP: Que bom que você está tendo esse suporte do clube para se recuperar da lesão. Qual a sua expectativa de volta aos gramados?

DS: Em umas 8 semanas devo voltar para o campo e iniciar a transição para ser liberado, se Deus quiser.

BP: Em 2013, antes dos empréstimos, você disputou a Copa São Paulo e se esperava que fosse integrar o time principal do Palmeiras. Muitos jogadores da base foram inscritos na Libertadores, como João Denoni, Bruno Dybal, Luiz Gustavo. Por que você acha que não recebeu as mesmas oportunidades?

DS: Tinha muito jogador na minha posição e essa competição é para jogadores com mais pegada. Acho que esse deve ter sido o motivo..

 

BP:  Tem alguma coisa que aconteceu na época da sua transação para o profissional que você acha que devia ter sido diferente? Algo que você ou o clube podiam ter feito diferente…

DS: O momento era de muita pressão e seria muito difícil nos utilizar. O Palmeiras poderia ter nos mantido na base e subido em outro momento, porque acabou queimando uma geração muito boa que gerava muita expectativa para o clube. Ou até mesmo nos deixando no elenco para disputarmos a série B do ano seguinte. Por nós conhecermos o Palmeiras, sermos criados no clube, seria bom em todos os sentidos.

BP: E você? Você mudaria algo relacionado a sua atitude, etc? Algo que hoje, com 25 anos, você consegue enxergar melhor que naquela época era mais difícil?

DS: Sempre fui um cara tranquilo , acho que minha timidez acabou me atrapalhando um pouco. Foi mais difícil fazer amizade e ficar à vontade dentro do grupo, mas o pessoal era muito gente boa e ajudava bastante.

BP: Quais são seus sonhos e expectativas para um novo começo? Existe já algum clube de olho em você, esperando essa sua recuperação? 

DS:  Meu sonho é voltar a jogar em alto nível e me formar de vez no profissional.  No segundo semestre vou estar jogando. Em relação a outras equipes, prefiro esperar que na hora certa as coisas acontecem.

 

Quer saber mais sobre jogadores que passaram pelas categorias de base do Palmeiras? Clique e acompanhe nossa seção: POR ONDE ANDA.

 

2 Comments

  • Wellington

    30 de março de 2018 at 22:49

    Tenho 23 anos, acompanho a base do Palmeiras desde 2007 (mais ou menos) e o Ramos foi o melhor jogador que eu vi jogar pela base do Palmeiras. O jogo dele me encantava, uma pena não ter vingado.
    Parabéns pelo trabalho feito na página!!!

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    • Base Palmeiras

      30 de março de 2018 at 23:32

      Eu também gostava bastante do Ramos, meia canhoto e batia bem na bola. Uma pena mesmo ele não ter vingado.

      Agradeço pelo elogio! Estamos abertos a sugestões! 🙂

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